terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cresce em 66% número de estudantes nascidos fora do Brasil na rede estadual de SP

Em sete anos, total saltou de 5,7 mil para 9,5 mil; Capital concentra maior número de estrangeiros

O número de alunos estrangeiros matriculados nas escolas estaduais aumentou 66% em sete anos, segundo levantamento da Secretaria da Educação de São Paulo. Hoje são 9,5 mil alunos naturais de outros países contra os 5,7 mil em 2010. A capital é a região com maior quantidade de estudantes nascidos fora do Brasil. São 5.636 (ou 58%), sendo 3.281 bolivianos.

Para garantir a integração de crianças, jovens e também adultos, a rede mantém um trabalho constante de acolhimento. Na Escola Estadual Eduardo Prado, localizada no bairro do Brás, a direção fechou parcerias. Ao longo do ano, são realizadas palestras com o apoio do CAMI  e o Museu da Imigração do Estado de São Paulo.

Além da sala de aula, os eventos culturais também criam oportunidades para compartilhar sotaques, histórias e experiências. Na Eduardo Prado, 70% das classes são formadas por estudantes que vieram, principalmente, da América Latina e África. Por isso, a unidade está sempre de portas abertas para atender os pais e tirar as mais diversas dúvidas.

Secretaria da Educaçao do Estado de São Paulo

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Imigração qualificada diminui pressão no mercado de trabalho


O crescente número de migrantes qualificados em vários países, desde 2016, contribuiu para reduzir ligeiramente as pressões sobre o mercado de trabalho a nível global, indicou o grupo de recrutamento Hays num relatório hoje divulgado.

Contudo, apesar da ligeira melhoria, o documento refere que se mantém a escassez de competências, numa altura em que as empresas continuam à procura de profissionais qualificados para uma série de cargos e de sectores especializados.
Foram estas as principais conclusões da 6.ª edição do Hays Global Skills Index, um estudo intitulado “Dinâmicas Regionais do Mercado de Trabalho Global: Qualificações com Procura e a Mão-de-Obra de Amanhã”, realizado em colaboração com o Oxford Economics e elaborado com base numa análise dos mercados de trabalho em 33 economias globais, entre as quais Portugal.
“Depois de um período de incerteza global (…), identificamos sinais de um cenário mais positivo para as empresas em todo o mundo (…): o nosso relatório aponta para um ligeiro atenuamento em alguns dos principais elementos de pressão que influenciavam os mercados de trabalho, [mas] mesmo com este desagravamento das pressões, a falta de competências continua a ser um problema persistente que requer a máxima atenção das empresas, governos e instituições de ensino”, disse o director executivo da Hays, Alistair Cox, citado em comunicado.
De acordo com o estudo, “o fluxo de migrantes qualificados contribuiu para uma ligeira redução na média do Índice Geral deste ano: o resultado, em 33 países, baixou marginalmente de 5,4 para 5,3, registando a primeira redução anual no Índice Geral desde a sua criação, em 2012”.
Em Portugal, a redução na média do Índice Geral foi um pouco mais expressiva, baixando de 5,7 em 2016 para 5,4 em 2017, precisou a Hays.
Segundo a directora-geral da Hays Portugal, Paula Baptista, “após vários anos de instabilidade, a economia portuguesa parece ter finalmente entrado num ciclo positivo e isso tem tido reflexos em inúmeras oportunidades de crescimento para o mercado de trabalho”.
“Portugal tem provado ser um destino de eleição para investimento estrangeiro e para a abertura de vários centros de serviços partilhados, o que tem colocado alguma pressão salarial nas funções ou competências altamente procuradas”, sustentou a responsável, citada em comunicado.
“A escassez de talento continua a ser um grande problema para Portugal, mas está a começar a ser respondida através do sistema educativo que começa a fazer um esforço para adaptar a sua oferta académica às necessidades do mercado de trabalho”, acrescentou.
Os dados das Nações Unidas indicam que 244 milhões de pessoas, ou 3,3% da população mundial, vivem actualmente num país que não é o seu país de origem.
Os dados do Hays Global Skills Index mostram ainda que na União Europeia, em 2016, a proporção de pessoas nascidas noutros países e com formação superior era de 29% – uma subida de três pontos percentuais em relação a 2011.
O estudo sublinha que “o fluxo de trabalhadores parece estar a contrariar o problema que muitos países vivem actualmente: o envelhecimento da população”.
“Com excepção da Índia, a população activa em todos os países do Índice deverá diminuir em cerca de um milhão de pessoas em 2017, à medida que a sua população envelhece, [mas] dado o crescimento dos ritmos de participação em 25 dos 33 países do Índice, e o aumento do número de migrantes e da sua especialização em comparação com o passado, a oferta de trabalhadores irá aumentar em 1,1 milhões”, estima-se no relatório.
Alistair Cox defende que, “com a esperada diminuição da população activa em todos os países, é vital que os governos aproveitem a migração qualificada”.
“A prosperidade e o crescimento dependem das pessoas e, sem as competências certas, as empresas e consequentemente as sociedades podem ficar mais debilitadas e não florescer – a migração especializada apresenta-se como uma resposta importante e necessária para esta lacuna global de competências”, vincou.
O estudo da Hays atribui igualmente à digitalização um papel importante no combate à falta de competências, “uma vez que permite que estes migrantes especializados trabalhem com maior flexibilidade, mais eficientemente e remotamente”, e aponta a existência de “uma procura crescente de novos cargos neste cenário em constante evolução”.
“Numa altura em que a oferta de trabalhadores especializados se mantém estável, as empresas terão tempo para se concentrar mais na adaptação da sua força de trabalho a um cenário marcado por um panorama tecnológico em rápido desenvolvimento”, indica a Hays, acrescentando que “o aumento da tecnologia e da automatização no local de trabalho irá fomentar uma maior comunicação e mais flexibilidade na forma como se trabalha, bem como o aumento de procura de novos empregos, mas irá ainda substituir algumas das funções actuais”.
“Os empregadores deverão dar prioridade à formação e à educação para se assegurarem que os seus colaboradores têm as competências necessárias para enfrentarem as alterações tecnológicas e para garantirem que as suas competências se mantêm relevantes”, frisa-se no documento.
Além de Portugal, os países analisados neste Índice Geral foram: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Colômbia, Chile, China, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Índia, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Malásia, México, Nova Zelândia, Polónia, Reino Unido, República Checa, Rússia, Singapura, Suécia e Suíça, e ainda a região administrativa especial chinesa de Hong Kong.
 Expressao das Ilhas

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Mudar de mentalidade para humanizar fenômeno das migrações

O Papa Francisco lançará durante a Audiência Geral da próxima quarta-feira a Campanha da Caritas Internationalis “Share the Journey”.
A iniciativa envolve todas as Caritas do mundo e tem por objetivo promover a acolhida dos migrantes e dos refugiados por meio da partilha das suas esperanças.
Para saber mais sobre a campanha, a Secretaria para a Comunicação (SPC) entrevistou o Presidente da Caritas Internationalis, cardeal Luis Antonio Tagle:
“Para a Igreja e especialmente para a Caritas Internationalis é um momento para recordar não somente aos cristãos, mas a todo o mundo, o mandamento do Senhor que sempre tem no coração as pessoas mais vulneráveis. Vemos isto também no Antigo Testamento: as viúvas, os órfãos, os estrangeiros. Jesus Cristo, no capítulo 25 do Evangelho de São Mateus diz: “Estou presente”. O Senhor está presente nos estrangeiros! Este é o objetivo mais profundo: obedecer ao mandamento do Senhor.  Este objetivo fundamental se expressa nas palavras do Papa Francisco quando fala de acolher, de proteger, de promover o desenvolvimento integral humanitário de cada imigrante e de integrar os migrantes em uma nova comunidade. Esta é uma abordagem a ser seguida: humanizar este fenômeno da migração. Os migrantes não são estatísticas, não são números, mas pessoas”.
SPC: Existem tantas crises humanitárias no mundo neste período. Por que “acolher os migrantes” é uma prioridade para o Papa Francisco, para o senhor Cardeal Tagle e para a Caritas Internationalis?
“A migração não é um fenômeno novo no mundo. Olhando para o mundo numa perspectiva verdadeira, a história da humanidade é uma história de migrações! Porém, agora, existem fatores e fenômenos que tornaram a migração “perturbadora”: as novas formas de escravidão, o uso das mídias sociais para sexo online, a venda de crianças... Nós queremos recordar ao mundo que existe uma humanidade que não é uma questão abstrata, mas uma questão que diz respeito à dignidade da pessoa. E o Papa Francisco, fiel à Doutrina Social da Igreja, coloca a dignidade da pessoa no centro. O mesmo vale para a Caritas Internationalis, a dignidade de cada pessoa”.
SPC: Nos últimos anos temos visto a construção de tantos muros em diversos países. O que se poderia fazer no sentido de construir pontes e não muros?
“Antes de construir muros físicos, existe um muro que já foi construído: o da mentalidade. Esta Campanha da Caritas é um apelo à conversão, à mudança de mentalidade por meio dos encontros pessoais, porque quando encontramos um migrante como pessoa, face a face, um na frente do outro, os meus olhos se abrem; não vejo somente uma estatística ou um número, mas uma pessoa verdadeira que é um irmão, uma irmã, alguém próximo. Vejo talvez o rostos de meus pais, de meu irmão, de minha tia, de meu tio. É desta forma que começa a mudança de mentalidade: cai o muro e se constrói a ponte!”. 
Radio Vaticano
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Boa Vista: Projeto social leva educação para crianças imigrantes na rodoviária

Com o objetivo de adaptar as crianças imigrantes à língua portuguesa e ao sistema de ensino brasileiro, o grupo de trabalho voluntário Ação Social criou o projeto Praça na Escola. A ação, que conta com a parceria de diversas outras instituições, vai atender os pequenos, em sua maioria venezuelanos, que vivem nas dependências da Rodoviária Internacional de Boa Vista. 
Durante as aulas, que serão realizadas todos os sábados, das 17h às 19 horas, na praça que circunda o terminal rodoviário, eles terão a oportunidade de aprender, além do idioma, a se relacionar com os colegas em um ambiente escolar.
Uma das coordenadoras da ação, a professora do curso de Psicologia da UFRR (Universidade Federal de Roraima), Talitha Macedo, explicou que a ideia de desenvolver o projeto nas dependências da Rodoviária surgiu após o grupo Ação Social perceber que não havia trabalhos do tipo sendo promovidos na localidade. “Sabemos que em outros pontos da cidade existe um trabalho voluntariado no mesmo sentido, mas que atende somente aqueles que vivem nas redondezas”, comentou.
Ela destacou que um dos empecilhos para que aqueles que vivem nas proximidades da rodoviária não procurassem esse tipo de serviço, é a distância. “Eles andam bastante, mas o acampamento deles é a rodoviária. Os projetos existentes nesse sentido são desenvolvidos em outras partes da cidade, muitos não vão devido a distância, ainda mais com crianças. Resolvemos desenvolver esse trabalho aqui, depois de constatar em outras ações, a presença de muitas crianças”, explicou.
O projeto teve início neste sábado, dia 23. As mesas, cadeiras e um quadro foram colocados na área livre ao redor da rodoviária. Antes da primeira aula, os voluntários lavaram as mãos das crianças e também cortaram as unhas. “É importante mostrar para eles a importância da higiene pessoal. Nós também distribuímos o material escolar, que inclui caderno, lápis, entre outros. Neste primeiro dia, outras pessoas que costumam fazer trabalho voluntário na localidade também distribuíram sopa e antes do início da aula eles puderam se alimentar”, informou.
Talitha destacou que além do grupo Ação Social, o projeto conta com o apoio dos Voluntários em Ação, professores e acadêmicos da UFRR e do IFRR (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima). “Também temos o apoio de outros venezuelanos e de profissionais de diversas áreas. Esse é um tipo de trabalho que não dá para se fazer sozinho. Quanto mais ajuda, melhor”, ressaltou.
Ela destacou ainda à importância do apoio da sociedade em ações como essa. “A proposta é um trabalho socioeducativo que possa possibilitar uma melhor adaptação destas crianças à escola. Quem puder colaborar nesse sentido, pode nos procurar. Sempre temos alguém do grupo nas dependências da rodoviária. Todo apoio é bem vindo”, garantiu.
Folha Web
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sábado, 23 de setembro de 2017

UFGD faz projeto de extensão com os imigrantes haitianos em Dourados



O projeto de extensão "Ações de facilitação da inserção social de haitianos em Dourados", coordenado pela professora Carolina de Campos Borges, da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD, está aberto para novos voluntários e parcerias.
A demanda mais emergente é por monitores para ministrarem aulas de Português durante o dia, já que muitos haitianos trabalharam à noite e então não conseguem participar das turmas que estão em andamento. As aulas de Português ocorrem de terça a sexta-feira, no Estádio Douradão, no espaço disponibilizado pela Prefeitura Municipal.
A estimativa é de que mais de 200 haitianos estejam morando em Dourados, mas Alex Dias, doutorando em Geografia pela UFGD, conta que esse número foi o que conseguiram mensurar por enquanto, através dos contatos com o pessoal do projeto e das ocupações no mercado de trabalho.
Alex está pesquisando a imigração haitiana e no projeto de extensão está colaborando para fazer um diagnóstico desta população, com objetivo de elencar as principais demandas e ter subsídios para buscarem ações específicas. Entre as futuras iniciativas pode estar, por exemplo, a entrada na universidade e por isso é necessário saber a escolaridade atual desta população, entre outros fatores.
VISITA À UFGD
O projeto de extensão levou 30 participantes até a Cidade Universitária para que conhecessem a UFGD. Eles foram recepcionados pelas Faculdades de Ciências Humanas (FCH) e Comunicação, Artes e Letras (FACALE) e percorreram o Centro de Convivência, o Restaurante Universitário e a Biblioteca Central, na noite da última terça-feira (19).
A coordenadora do projeto, Carolina Borges, explica que a visita serviu para que conhecessem o espaço da universidade e também para que a comunidade universitária soubesse que eles estão na cidade e com essa visibilidade, outros servidores e cursos se sentissem provocados e também realizassem projetos com os haitianos.
Para Daniela Valle de Loro, voluntária no projeto e que atua na área de patrimônio cultural, nacionalmente, as universidades e organizações da sociedade civil estão assumindo o papel de acolhimento desta população, já que o Governo Federal fez a parte diplomática, mas não oferece mais que isso. O envolvimento com os imigrantes está avançado em universidades como a UFPR, UFRJ e a Unicamp.
FACULDADES
Os haitianos foram acolhidos pelo diretor da Faculdade de Ciências Humanas (FCH), Jones Dari Goettert, que apresentou os cursos de Ciências Sociais, História, Geografia e Psicologia, de forma a aproximar as temáticas de estudo com as informações sobre o Haiti.
Esse primeiro contato já despertou o interesse dos participantes do projeto. Diems Louizaire está há oito meses no Brasil e contou que veio pra cá em busca de oportunidades de estudos e então perguntou o que poderia ser feito para que ele pudesse fazer um curso na UFGD. Sobre esse ponto, o projeto de extensão buscará articular junto ao Escritório de Assuntos Internacionais (ESAI) futuras formas de ingresso e entre as possibilidades está, por exemplo, o preenchimento das vagas ociosas.
No entanto, o professor Jones sugeriu que enquanto esses processos fossem se desenvolvendo, os haitianos intensificassem a leitura e escrita em Português, contassem suas histórias e impressões sobre o Brasil nos textos, e se disponibilizou a propor grupos de estudos com os estudantes da FCH como uma forma de apoio para que fossem se preparando para o Vestibular. Além da entrada, outro desafio seria a permanência durante os 4 ou 5 anos de curso. Por isso levantaram como importante a demanda por bolsas que dessem apoio para moradia e alimentação aos estudantes haitianos.
"A gente não vai desanimar. Vocês estarem aqui hoje já é uma vitória para vocês e pra gente. Vir aqui, conhecer a universidade, pisar nela, já é um momento importante. Então a gente tem que insistir (...) e construir as possibilidades de inclusão e transformação, no Brasil e no Haiti. Nós queremos que quando vocês voltarem para o Haiti, voltem melhor do que vieram e se permanecerem aqui, ajudem-nos também a sermos melhor do que somos", desejou o professor Jones.
Na Faculdade de Comunicação, Artes e Letras, o professor Paulo Custódio também seguiu essa linha e acrescentou que muitos problemas que afligem o Haiti também ocorrem no Brasil, citando o cenário político, mas que a solução não é externa. "Nós queremos que levem as experiências que tiveram aqui para contribuir com o Haiti. Só as pessoas daquele país podem resolver os problemas do próprio país", disse Paulo Custódio.
Na oportunidade, a professora Leoné Astride Barzotto também deu as boas-vindas e comentou que a literatura haitiana é o coração que bate mais forte na disciplina que ela ministra, intitulada "América Latina e Caribe", na área de Literatura e Práticas Culturais.
Na sequência, os haitianos passaram pelo Centro de Convivência, Restaurante Universitário e Biblioteca Central.
CONTATO: CarolinaBorges@ufgd.edu.br
UFGD
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UNESCO lembra importância da solidariedade mundial para construir mundo pacífico

Em mensagem para o Dia Internacional da Paz, lembrado nesta quinta-feira (21), a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou o poder da solidariedade mundial para construir um mundo pacífico e sustentável.
“Isso nunca foi tão importante como agora, em um momento de desafios sem precedentes. Novas forças que visam à divisão surgiram, espalhando o ódio e a intolerância”, declarou Irina em comunicado para a data.
Mulheres e meninas da Libéria protestam pacificamente contra violência baseada em gênero. Foto: ONU/Eric Kanalstein
Mulheres e meninas da Libéria protestam pacificamente contra violência baseada em gênero. Foto: ONU/Eric Kanalstein
Em mensagem para o Dia Internacional da Paz, lembrado nesta quinta-feira (21), a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou o poder da solidariedade mundial para construir um mundo pacífico e sustentável.
“Isso nunca foi tão importante como agora, em um momento de desafios sem precedentes. Novas forças que visam à divisão surgiram, espalhando o ódio e a intolerância”, declarou Irina em comunicado para a data.
“O terrorismo alimenta a violência, enquanto o extremismo violento busca envenenar as mentes das pessoas vulneráveis e dos jovens. Nas partes mais pobres e menos desenvolvidas do mundo, desastres naturais relacionados ao clima se somam às fragilidades existentes, o que aumenta as migrações forçadas e o risco da violência”, afirmou.
Segundo a diretora-geral da UNESCO, obstáculos à paz são complexos e difíceis — nenhum país é capaz de resolvê-los sozinho. “Fazer isso exige novas formas de solidariedade e ação conjunta, o que deve começar o mais cedo possível”, disse.
“Esse é o espírito do apelo realizado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, por um novo movimento de prevenção para apoiar a paz, que reúna os governos e a sociedade civil, assim como os organismos internacionais e regionais.”
Para Irina, as mudanças estão acontecendo em todo o mundo — nosso objetivo deve ser abraçá-las com base nos direitos humanos, para moldá-las em direções positivas, visando a criar um futuro mais justo, inclusivo e sustentável.
“A cultura de paz é uma cultura de diálogo e prevenção e, nesse contexto, o papel das Nações Unidas nunca foi tão essencial. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável afirma que não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável. O mesmo espírito sustenta as resoluções de 2016 do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral sobre a manutenção da paz.”
Segundo Irina, precisamos de uma abordagem nova e abrangente para tratar das causas, fortalecer o Estado de direito e promover o desenvolvimento sustentável, com base no diálogo e no respeito. “Isso orienta todas as ações da UNESCO para construir a paz por meio da educação, da liberdade de expressão, do diálogo intercultural, do respeito aos direitos humanos e à diversidade cultural, e da cooperação científica”.
“Neste Dia Internacional da Paz, devemos renovar o nosso compromisso com a solidariedade mundial. Para sustentar a paz, nós devemos construí-la todos os dias, em todas as sociedades, com a participação de todas as mulheres e todos os homens, trabalhando juntos rumo a um melhor futuro comum para todos.”
Unesco
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Papa alerta para intolerância e xenofobia na Europa

O Papa Francisco concluiu sua série de audiências esta sexta-feira (22/09) recebendo os responsáveis nacionais pelas migrações, que participam do encontro promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa.
A audiência foi a ocasião para o Pontífice reafirmar a missão da Igrejadiante dos fluxos migratórios maciços: amar Jesus Cristo particularmente nos mais pobres e abandonados, e entre eles certamente estão os migrantes e refugiados.
“Não escondo a minha preocupação diante dos sinais de intolerância, discriminação e xenofobia que se verificam em várias regiões da Europa. Com frequência, esses sinais são motivados pela desconfiança e pelo temor em relação ao outro, ao diferente, ao estrangeiro. Preocupa-me ainda mais a triste constatação de que as nossas comunidades católicas na Europa não estão isentas dessas reações de defesa e rejeição, justificadas por um ‘dever moral’ de preservar a identidade cultural e religiosa originária.”
O Papa recordou que a Igreja se propagou em todos os continentes graças à “migração” de missionários, e que hoje percebe uma “profunda dificuldade” das Igrejas na Europa diante da chegada dos migrantes. Para Francisco, essa dificuldade espelha os limites dos processos de unificação europeia e da aplicação concreta da universalidade dos direitos humanos.
Do ponto de vista estritamente eclesiológico, a chegada de inúmeros irmãos oferece às Igrejas locais uma oportunidade a mais de realizar plenamente a própria catolicidade e uma nova fronteira missionária.
Além disso, o encontro com migrantes e refugiados de outras confissões e religiões é um “terreno fecundo para o desenvolvimento de um diálogo ecumênico e inter-religioso sincero e enriquecedor”.
Por fim, o Papa citou a sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado do próximo ano, na qual indica a resposta pastoral aos desafios migratórios em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.  Na mesma Mensagem, também se enfatiza a importância dos Pactos Globais, que as nações do mundo se empenharam em redigir até o final de 2018, nos quais a Santa Sé está preparando uma contribuição especial. Francisco concluiu com uma exortação:
“Que a voz da Igreja seja sempre tempestiva e profética e, sobretudo, seja precedida por um trabalho coerente e inspirado nos princípios da doutrina cristã.”
Radio Vaticano
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Mulheres e imigrantes ajudaram em retomada econômica na UE


Banco Central Europeu (BCE) elevou as estimativas de crescimento da economia da zona do euro para 2017 e informou que os imigrantes e as mulheres ajudaram na retomada da União Europeia neste ano.    

Segundo a entidade, em nota, "durante a retomada, a imigração deu uma ampla contribuição positiva à população em idade produtiva, refletindo, sobretudo, no fluxo de trabalhadores novos nos Estados-membros da União Europeia".    

O comunicado ainda afirma que eles tiveram "verdadeiramente, um efeito considerável sobre a força de trabalho, em particular, na Alemanha e Itália". Frankfurt, no entanto, ressalta que "apesar das ofertas de trabalho terem aumentado continuamente na zona do euro, nos últimos 10 anos, a taxa de crescimento sofreu uma desaceleração".    

A nota ainda destaca que as mulheres tiveram um papel fundamental na retomada da economia do continente.    

"O aumento da força de trabalho durante o período de retomada econômica foi puxado pela participação feminina", disse o comunicado destacando que há diferenças na participação deles e delas no mercado, "em larga parte, por conta das divergências existentes entre o nível de instrução dos homens e aqueles das mulheres".    

"De fato, na população feminina em idade de trabalho, o percentual de mulheres com a educação superior é mais elevado do que o percentual entre os homens".    

Em números, o BCE elevou a taxa do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% para 2,2% em 2017, enquanto permanecem nos mesmos números aquelas para 2018 e 2019, em 1,8% e 1,7%, 
respectivamente.

 ANSA
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Marrocos e Nigéria disputam final inédita na 4ª Copa dos Refugiados em São Paulo Domingo no Pacaembu

Depois de envolver mais de 200 jogadores refugiados nas disputas eliminatórias no último fim de semana, o estádio do Pacaembu, em São Paulo, será palco da grande final entre Nigéria e Marrocos, duas equipes invictas do maior evento esportivo para refugiados no Brasil. O evento é apoiado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
As duas seleções chegaram ao topo da competição após uma exaustiva disputa que envolveu 16 times. Em jogos eliminatórios e disputas acirradas, algumas favoritas, como Camarões e Mali, foram eliminadas e abriram espaço para a final inédita, a ser disputada às 15h de domingo (24).
De um lado, a experiência. Do outro, a superação. O que aproxima os jogadores refugiados de Nigéria e Marrocos em São Paulo é a vontade de se sagrar campeões da Copa dos Refugiados, o maior evento esportivo voltado às pessoas em situação de refúgio do país.
A competição deste ano, em sua quarta edição, teve o maior número de jogadores inscritos e terá uma final inédita: a estreante seleção do Marrocos enfrentará a Nigéria, vencedora da primeira edição da Copa dos Refugiados (2014).
As duas seleções chegaram ao topo da competição após uma exaustiva disputa que envolveu 16 times. Em jogos eliminatórios e disputas acirradas, algumas favoritas, como Camarões e Mali, foram eliminadas e abriram espaço para a final inédita, a ser disputada no estádio do Pacaembu, em São Paulo, às 15h de domingo (24).
“É como um sonho a ser realizado representar nosso país em um grande estádio, para o público de torcedores brasileiros. Espero que (os torcedores) possam torcer por nós. Jogamos com o coração e, se vencermos, dedicaremos o título a nosso país e aos brasileiros”, disse Hassan Eusen, jogador do Marrocos que está no Brasil há cinco anos e trabalha no comércio da Rua 25 de março, centro de São Paulo.
“Nosso time se conheceu lá mesmo, fazendo comércio na Rua 25 de Março. Estamos sempre juntos, e como todos gostamos de futebol, formamos um time e começamos a treinar. Recentemente, passamos a nos reunir toda terça-feira para jogar, e agora vamos com tudo para essa final”.
Hassan diz ter uma ótima vida em São Paulo, principalmente por estar empregado. Quando questionado sobre o que é mais difícil no Brasil, não tem dúvidas: “a saudade que sinto da minha família”. Sobre a maior dificuldade para chegar à final, garante que o sol foi o pior adversário.
Enquanto a final certamente será disputada com muita garra e dedicação dentro de campo, a partida pelo terceiro lugar já foi realizada entre as equipes de Togo e Guiné Bissau. A vencedora deste duelo, Guiné Bissau, contava com um goleiro brasileiro, Ronaldo Pereira, de 37 anos.
“Eu encontrei a rapaziada da Guiné Bissau jogando bola com meu filho e fui convidado a disputar esse campeonato, passando a representar as cores verde e amarelo do outro lado do oceano. É uma iniciativa muito gratificante poder jogar com eles e conhecer mais sobre a realidade de cada um, ajudando no que for preciso”, disse o goleiro da equipe que se sagrou terceira colocada da competição após vencer o Togo pelo placar de um a zero.
Além de alguns poucos jogadores brasileiros, as seleções que fazem parte da Copa dos Refugiados têm como representantes de seus times mulheres brasileiras, que organizam todas as questões logísticas e também contribuem para o processo de integração e trocas culturais.
A Copa dos Refugiados é uma competição que envolve pessoas em situação de refúgio e migrantes residentes na cidade de São Paulo, assim como brasileiros, com o intuito de as integrar e promover trocas culturais, criando uma rede de apoio. Há quatro anos, a Copa é realizada pela “África do Coração”, uma organização composta por refugiados de 20 diferentes nacionalidades e que desenvolve projetos em prol dos refugiados no país.
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apoia a Copa desde seu início, e neste ano trouxe a iniciativa privada para a promover e gerar mais visibilidade sobre o tema. Neste sentido, a multinacional Sodexo aderiu à proposta como fornecedora dos kits de alimentação para os jogadores e a empresa Netshoes propiciou o uniforme personalizados aos jogadores, além de mochilas e uma premiação aos vencedores da Copa.
O evento contou ainda com o apoio das Secretarias Municipais de Esportes e Lazer, dos Direitos Humanos e das Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, do SESC e da Cruz Vermelha.
Onu
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Cáritas Brasileira lança no Cristo Redentor Campanha Mundial sobre imigração e refúgio


A partir da aprovação na Assembleia Geral de 2015, a Cáritas Internacional passou a realizar uma campanha de mobilização mundial a cada quatro anos. Após a escuta de toda a rede mundial da Cáritas, e um olhar dirigido às principais feridas da humanidade hoje, desta vez a temática escolhida foi a questão dos imigrantes e refugiados. O lançamento da campanha global Compartilhe a Viagem vai acontecer na quarta-feira, 27 de Setembro de 2017.
Durante os dois anos desta campanha (2017-2019) toda a Rede Cáritas é chamada a responder ao apelo do Papa Francisco abraçando a “cultura do encontro” e fazendo uma proposta positiva diante da realidade atual na vida de imigrantes e refugiados.
Neste sentido, a Cáritas assume de forma ainda mais comprometida a sua identidade como uma família mundial, que encoraja as pessoas a refletir, aproximando imigrantes, refugiados e comunidades com o objetivo de mudar corações e mentalidades.
Este guia de ação da campanha ajudará todas as organizações membro da Cáritas a implementar as suas campanhas a nível local. É uma ferramenta que deve ser usada para promover a solidariedade global com imigrantes e refugiados. Só com a mobilização efetiva e corajosa de toda a Rede Cáritas, a campanha de fato terá um impacto positivo.
 Caritas
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Qual o peso dos imigrantes na eleição alemã?


Dos mais de 600 deputados federais alemães, 37 têm ascendência estrangeira, assim como um em cada dez eleitores. Entenda qual a importância desse grupo nas legislativas do país.Quem possui cidadania alemã e tem no mínimo 18 anos, pode ajudar a decidir, neste domingo (24/09), o próximo chanceler federal da Alemanha - não importa se a família da pessoa é de Colônia, Cazaquistão, Turquia ou Polônia.

Uma em cada dez pessoas com direito ao voto na Alemanha - e que também pode se candidatar a eleições no país - tem origem estrangeira. Isso quer dizer que ela ou ele, ou pelo menos um dos pais, nasceu sem direito ao passaporte alemão.

Desde que o partido populista de direita AfD (Alternativa para a Alemanha) passou a se concentrar intensamente no tema, os partidos e a imprensa alemã estão voltando suas atenções para o maior grupo de pessoas de raízes estrangeiras com direito ao voto no país: o dos descendentes de alemães nascidos no Leste Europeu, conhecidos na Alemanha como Aussiedler.

Segundo a pesquisa Mikrozensus 2016, realizada pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis), esse grupo soma 3,1 milhões de pessoas e também inclui alemães e seus descendentes que viviam no Leste Europeu e nos territórios da antiga União Soviética.

O segundo maior grupo de eleitores com raízes estrangeiras é o dos alemães com ascendência turca. O Destatis estima que sejam cerca de 730 mil pessoas aptas a votar.

Participação eleitoral reduzida

"Afinal, como se vota?" Aydan Özoguz (SPD), comissária do governo federal alemão de Migração, Refugiados e Integração, ouviu essa pergunta de forma recorrente. A participação eleitoral de alemães com origem migratória estaria "até 20 pontos percentuais abaixo" da taxa da população de eleitores como um todo, disse a política à DW. Özoguz incentiva o projeto "Vote D", que visa a levar às urnas cidadãos que acabaram de obter a cidadania alemã, assim como filhos maiores de idade de imigrantes.

Os pais de Özoguz são turcos, ela nasceu em Hamburgo. Atualmente, a própria vice-presidente do Partido Social-Democrata faz campanha, assim como Cemile Giousouf, comissária de Integração da bancada da CDU/CSU no Parlamento alemão. Elas são duas entre 37 deputados federais com ascendência estrangeira, de um total de 631 parlamentares.

No âmbito do projeto Pathways, que compara oito países europeus, pesquisadores da cidade de Bamberg situam a representação política de migrantes na Alemanha numa posição mediana: "Os primeiros lugares são ocupados pelo Reino Unido e pela Holanda; Itália e Espanha se situam nos últimos lugares", explica o cientista político Lucas Geese.

Para o pesquisador, apesar de a Alemanha não ser a última colocada, é um problema que a metade dos cidadãos com origem migratória que vivem no país não possuam a cidadania alemã. Ele acredita que haja uma "exclusão sistemática do processo político de formação de opinião pública" dessa população. A culpa, segundo Geese, é de um "modelo de cidadania extremamente rígido, se comparado com outros países".

Ódio racista

A comissária de Integração do governo federal, Aydan Özoguz, acredita que o debate sobre migração na Alemanha avançou, mas que ainda há muito a fazer. "Como migrante, sou alvo fácil para representantes da direita e para radicais de direita".
Özoguz defende que haja mais parlamentares de origens diferentes e de mais orientações religiosas na Alemanha: "Quando existem pessoas [no Parlamento] que são afetadas, isso modifica o teor da discussão" - e talvez também a percepção: a caixa da cantina do Parlamento alemão não queria acreditar que Karamba Diaby (SPD), nascido no Senegal, é deputado federal.

Cemile Giousouf deseja "que, em algum momento, a origem migratória não desempenhe papel tão importante". "Na Alemanha, um país de imigrantes, este é um tema fundamental." Em 2013, Giousouf se tornou a primeira deputada federal da CDU com origem turca. Já o SPD, o Partido Verde e A Esquerda já tem mais legisladores com ascendência estrangeira há mais tempo.

Preferência pela esquerda

Com base em pesquisas internacionais, o cientista político Andreas Wüst diz que eleitores com origem migratória tem preferência por partidos da chamada "esquerda política". As legendas seriam especialmente abertas a membros com ascendência estrangeira e suas agendas políticas.

Já o pesquisador Dennis Spies, de Colônia, afirma que migrantes sabem exatamente quem de sua comunidade está representado no Bundestag. Para a eleição federal alemã deste ano, Spies estuda para quem os eleitores migrantes dão seu voto e por quê. Ele se dedica aos dois maiores grupos de eleitores com origem migratória: os teuto-russos e os alemães de ascendência turca.

AfD e o Leste Europeu

Dennis Spies aponta que os teuto-russos - migrantes alemães e seus descendentes originários dos países criados após o fim da União Soviética - são uma peculiaridade alemã. Desde seu primeiro dia na Alemanha, explica o pesquisador, eles são considerados alemães e podem votar.

O ex-chanceler alemão Helmut Kohl, morto em junho deste ano e conhecido por sua atuação na reunificação alemã, se empenhou para que os teuto-russos fossem reconhecidos após o fim da União Soviética. O grupo ficou agradecido à CDU de Kohl e, durante muito tempo, foram considerados eleitores fieis. Porém, desde a acolhida de estrangeiros durante a crise de refugiados em 2015-2016, muitos desses eleitores se distanciaram do partido. "Os ciúmes têm influência aí", constatou Spies, em entrevista à DW.
Nas eleições dos parlamentos regionais, a AfD marcou pontos em circunscrições onde vivem muitos teuto-russos. Dennis Spies explica que "a AfD tem um programa eleitoral em russo, um grupo de teuto-russos, placas em russo e fala diretamente aos teuto-russos". Nenhum outro partido se dedicaria tanto aos teuto-russos, diz Spies.

O estudo do Conselho de Especialistas de Fundações Alemãs para Integração e Migração (SVR) contou uma preferência de 45,2% dos teuto-russos pela dobradinha CDU/CSU - uma taxa bem menor que a registrada em pesquisas anteriores.

Alemães de origem turca

Em 1994, quando Cem Özdemir entrou para o Parlamento alemão, um cidadão se queixou junto ao governo: "Desde quando um turco pode sentar aí em cima?", indagou, durante discurso do então chanceler conservador Helmut Kohl.

Uma política do SPD e o "suábio da Anatólia", Özdemir, foram os primeiros alemães de ascendência turca no Parlamento alemão. Hoje, 11 parlamentares são de origem turca - nenhum grupo de migrantes tem representação maior no Bundestag.

Segundo o estudo do SVR, os alemães de origem turca costumam se identificar com o Partido Social-Democrata. Quase 70% são eleitores do SPD, segundo os números da pesquisa, que seriam consequência da época dos chamados "trabalhadores convidados".
Para Aydan Özoguz, no âmbito do acordo de trazer para a Alemanha mão de obra turca nos anos 1960, trabalhador significava sindicato e, por consequência, SPD. O partido defendia a introdução da dupla cidadania e os direitos dos migrantes, linha mais tarde também seguida pelo Partido Verde e pela legenda A Esquerda.

Diferentes imigrantes

O cientista político Dennis Spies afirma que "o poder político dos migrantes [na Alemanha] é reduzido. O grupo cresce, mas é fortemente dividido". Cerca de um terço dos eleitores com origem russa vem da Ucrânia, um grupo menor do Cazaquistão e a maioria da própria Rússia. "Se você perguntar a eles o que eles acham de Putin, metade vai dizer que o ama e a outra metade, que o odeia. Isso também vale para [o presidente turco] Erdogan e eleitores com raízes turcas", explica Spies.

"Não existe 'O' eleitor migrante. Por que alguém que vem da Ucrânia e que vive na Alemanha há 20 anos teria a mesma preferência política que alguém que mudou para cá vindo do sudeste da Turquia? Por que essas pessoas devem ser comparáveis a migrantes que vieram para a Alemanha da Itália nos anos 1950?", indaga o estudioso.
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