sábado, 25 de fevereiro de 2017

Missão Paz participa de encontro da OIT na Costa Rica


Nesta semana, de 21 a 23 de fevereiro, um dos coordenadores da Missão Paz, padre Alejandro Cifuentes, representou a instituição em encontro em San Jose, Costa Rica, a convite da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O evento se deu no âmbito do Projeto de Cooperação Sul-Sul sobre a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Migrantes na América Latina e Caribe e a Missão Paz foi convidada a participar, pois a metodologia do Eixo Trabalho é considerada boa prática pela OIT, já tendo sido exposta em Brasília e em Santiago, Chile, em 2016.
O objetivo da visita foi promover ações colaborativas com base nos princípios do diálogo social, da mobilidade laboral, da proteção dos direitos humanos e do trabalho decente, bem como aprofundar o intercâmbio entre Brasil e Costa Rica no âmbito do projeto.
Estiverem presentes, também, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ), o Ministério do Trabalho (MT), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Missão Paz

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES FÓRUM INTERNACIONAL SOBRE MIGRAÇÕES E PAZ



Ilustres Senhores e Senhoras!

Dirijo a minha cordial saudação a cada um de vós, com profunda gratidão pelo vosso trabalho precioso. Agradeço a D. Tomasi as suas amáveis palavras e ao Dr. Pöttering a sua intervenção; estou grato também pelos três testemunhos, que representam ao vivo o tema deste Fórum: «Integração e desenvolvimento: da reação à ação». Com efeito, não é possível ler os desafios dos movimentos migratórios contemporâneos e da construção da paz, sem incluir o binómio «desenvolvimento e integração»: com tal finalidade eu quis instituir o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, em cujo âmbito um Departamento se ocupa especificamente do que diz respeito aos migrantes, aos refugiados e às vítimas do tráfico.

Sem dúvida, nas suas diferentes formas as migrações não representam um fenómeno novo na história da humanidade. Elas marcaram profundamente todas as épocas, favorecendo o encontro dos povos e o nascimento de novas civilizações. Na sua essência, migrar é expressão da aspiração intrínseca à felicidade, própria de cada ser humano, felicidade que deve ser procurada e perseguida. Para nós, cristãos, toda a vida terrena é um caminhar rumo à pátria celeste.

O início deste terceiro milénio é fortemente caraterizado por movimentos migratórios que, em termos de origem, trânsito e destino, atingem quase todas as regiões da terra. Infelizmente, na maioria dos casos, trata-se de deslocamentos forçados, causados por conflitos, calamidades naturais, perseguições, mudanças climáticas, violências, pobreza extrema e condições de vida indignas: «É impressionante o número de pessoas que migram de um continente para outro, bem como daqueles que se deslocam dentro de seus próprios países e áreas geográficas. Os fluxos migratórios contemporâneos são o maior movimento de pessoas, se não de povos, de todos os tempos».(1)

Diante deste cenário complexo, sinto que devo manifestar uma preocupação particular pela natureza forçada de muitos fluxos migratórios contemporâneos, que aumenta os desafios que se apresentam à comunidade política, à sociedade civil e à Igreja, exigindo que se responda ainda mais urgentemente a tais desafios de modo coordenado e eficaz.

A nossa resposta comum poderia articular-se em volta de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.

Acolher. «Há uma índole da rejeição que nos assemelha e que nos induz a olhar o próximo não como um irmão a acolher, mas como alguém deixado fora do nosso horizonte de vida pessoal, transformando-o antes num concorrente, num súbdito a dominar».(2) Perante esta índole da rejeição, em última análise enraizada no egoísmo e amplificada por demagogias
populistas, é urgente uma mudança de atitude para superar a indiferença e antepor aos receios uma generosa atitude de hospitalidade em relação àqueles que batem às nossas portas. Para quantos fogem de guerras e de perseguições terríveis, muitas vezes presos nas garras de organizações criminosas sem escrúpulos, é necessário abrir canais humanitários acessíveis e seguros. Um acolhimento responsável e digno destes nossos irmãos e irmãs começa pela sua primeira acomodação em espaços adequados e decentes. As grandes multidões de requerentes de asilo e de refugiados não deram resultados positivos, gerando ao contrário novas situações de vulnerabilidade e de dificuldade. No entanto, os programas de acolhimento difundido, já iniciados em diversas localidades, parecem facilitar o encontro pessoal, permitir uma melhor qualidade dos serviços e oferecer maiores garantias de bom êxito.

Proteger. O meu predecessor, Papa Bento, evidenciou que muitas vezes a experiência migratória torna as pessoas mais vulneráveis à exploração, ao abuso e à violência.(3) Referimo-nos a milhões de trabalhadores e trabalhadoras migrantes — e entre eles, particularmente aqueles que se encontram numa situação irregular — de refugiados e de requerentes de asilo, de vítimas do tráfico. A defesa dos seus direitos inalienáveis, a garantia das suas liberdades fundamentais e o respeito pela sua dignidade são tarefas das quais ninguém se pode eximir. Proteger estes irmãos e irmãs é um imperativo moral que deve ser traduzido, adotando instrumentos jurídicos internacionais e nacionais, claros e pertinentes; fazendo escolhas políticas justas e clarividentes; preferindo processos construtivos, talvez mais lentos, à obtenção de consenso imediato; pondo em prática programas oportunos e humanizadores na luta contra os «traficantes de carne humana» que lucram com as desgraças dos outros; e coordenando os esforços de todos os protagonistas entre os quais, podeis estar certos disto, a Igreja estará sempre presente.

Promover. Proteger não é suficiente; é necessário promover o desenvolvimento humano integral de migrantes, refugiados e pessoas deslocadas, que «tem lugar mediante o cuidado dos bens incomensuráveis da justiça, da paz e da proteção da criação».(4) Em conformidade com a doutrina social da Igreja,(5) o desenvolvimento é um direito inegável de cada ser humano. Como tal, deve ser garantido, assegurando as condições necessárias para a sua prática, tanto na esfera individual como na social, conferindo a todos um acesso equitativo aos bens fundamentais e oferecendo a possibilidade de escolha e de crescimento. Também aqui, é necessária uma ação coordenada e prudente de todas as forças em jogo: da comunidade política à sociedade civil, das organizações internacionais às instituições religiosas. A promoção humana dos migrantes e das suas famílias começa pelas comunidades de origem onde, juntamente com o direito a poder emigrar, deve ser garantido inclusive o direito a não ter que emigrar,(6) ou seja, o direito a encontrar na própria pátria as condições que lhes permitam levar uma existência digna. Com esta finalidade devem ser encorajados esforços que visem a atuação de programas de cooperação internacional, desvinculados de interesses de parte, e de desenvolvimento transnacional em que os migrantes possam participar como protagonistas.

Integrar. A integração, que não é assimilação nem incorporação, constitui um processo bidirecional, que se baseia essencialmente no mútuo reconhecimento da riqueza cultural do outro: não se trata de nivelamento de uma cultura sobre a outra, nem sequer de isolamento recíproco, com o risco de «guetizações» nefastas e perigosas. No que se refere a quantos chegam e são chamados a não se fechar à cultura e às tradições do país anfitrião, respeitando antes de tudo as suas leis, não deve ser absolutamente ignorada a dimensão familiar do
processo de integração: por isso, sinto que devo reiterar a necessidade, várias vezes salientada pelo Magistério,(7) de políticas capazes de favorecer e privilegiar as reunificações familiares. No que diz respeito às populações autóctones, elas devem ser ajudadas, sensibilizando-as adequadamente e preparando-as de forma positiva para os process0s de integração, nem sempre simples e imediatos, mas sempre essenciais e imprescindíveis para o futuro. Por isso, são necessários também programas específicos, que favoreçam o encontro significativo com o próximo. Além disso, para a comunidade cristã, a integração pacífica de pessoas de várias culturas é, de certo modo, inclusive um reflexo da sua catolicidade, uma vez que a unidade que não anula as diversidades étnicas e culturais constitui uma dimensão da vida da Igreja que, no Espírito do Pentecostes, está aberta a cada um e deseja abraçar todos.(8)

A meu ver, conjugar estes quatro verbos na primeira pessoa do singular e na primeira pessoa do plural, representa hoje um dever, um dever em relação aos irmãos e às irmãs que, por diferentes motivos, são forçados a deixar a própria terra de origem: um dever de justiça, de civilização e de solidariedade.

Antes de tudo, um dever de justiça. Já não são sustentáveis as inaceitáveis desigualdades econômicas, que impedem que se ponham em prática o princípio do destino universal dos bens da terra. Todos nós somos chamados a empreender processos de partilha respeitadora, responsável e inspirada nos ditames da justiça distributiva. «Por isso, é necessário encontrar o modo para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não só para evitar que se alargue o fosso entre aqueles que têm mais e os que devem contentar-se com as migalhas, mas também e sobretudo por uma exigência de justiça e equidade, e de respeito por cada ser humano».(9) Um pequeno grupo de indivíduos não pode controlar os recursos de metade do mundo. Pessoas e povos inteiros não podem ter o direito de recolher apenas as migalhas. E ninguém pode sentir-se tranquilo nem exonerado dos imperativos morais que derivam da corresponsabilidade na gestão do planeta, uma corresponsabilidade várias vezes reiterada pela comunidade política internacional, assim como pelo Magistério.(10) Tal corresponsabilidade deve ser interpretada em sintonia com o princípio de subsidiariedade, «que confere liberdade para o desenvolvimento das capacidades presentes a todos os níveis, mas simultaneamente exige mais responsabilidade pelo bem comum a quem tem mais poder».(11) Fazer justiça significa também reconciliar a história com o presente globalizado, sem perpetuar lógicas de exploração de pessoas e territórios, que respondem ao cínico recurso do mercado, para incrementar o bem-estar de poucas pessoas. Como o Papa Bento afirmou, o processo de descolonização foi adiado, «tanto por causa de novas formas de colonialismo e dependência de antigos e novos países hegemónicos, como por graves irresponsabilidades internas aos próprios países que se tornaram independentes».(12) Tudo isto deve ser resolvido.

Em segundo lugar, há um dever de civilização. O nosso compromisso a favor dos migrantes, dos refugiados e das pessoas deslocadas é uma aplicação daqueles princípios e valores de acolhimento e fraternidade que constituem um património comum de humanidade e sabedoria no qual inspirar-se. Tais princípios e valores foram historicamente codificados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, bem como em numerosas convenções e acordos internacionais. «Todo o imigrante é uma pessoa humana que, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão de ser respeitados por todos e em qualquer situação».(13) Hoje mais do que nunca, é necessário reafirmar a centralidade da pessoa humana, sem permitir que condições contingentes e acessórias, assim como o necessário cumprimento de requisitos burocráticos ou administrativos, ofusquem a sua dignidade essencial. Como já declarava São João Paulo II, «a condição de irregularidade legal não consente reduções sobre a dignidade do migrante, o qual é dotado de direitos inalienáveis, que não podem ser violados nem ignorados».(14) Por dever de civilização há que recuperar inclusive o valor da fraternidade, que se fundamenta na nativa constituição relacional do ser humano: «A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e a tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção de uma sociedade justa, de uma paz firme e duradoura».(15) A fraternidade é o modo mais civil de nos relacionarmos com a presença do outro, a qual não ameaça mas interroga, confirmando e enriquecendo a nossa identidade individual.(16)

Finalmente, existe um dever de solidariedade. Diante das tragédias que «marcam a fogo» a vida de numerosos migrantes e refugiados — guerras, perseguições, abusos, violências e mortes — não podem deixar de brotar espontaneamente sentimentos de empatia e de compaixão. «Onde está o teu irmão?» (cf. Gn 4, 9): esta pergunta, que desde as origens Deus dirige ao homem, interpela-nos hoje especialmente a respeito dos irmãos e das irmãs migrantes: «Esta não é uma pergunta feita a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós».(17) A solidariedade nasce exatamente da capacidade de compreender as necessidades do irmão e da irmã em dificuldade, e de as assumir. Em síntese é sobre isto que se funda o valor sagrado da hospitalidade, presente nas tradições religiosas. Para nós, cristãos, a hospitalidade concedida ao forasteiro necessitado de amparo é oferecida ao próprio Jesus Cristo, que se identificou com o estrangeiro: «Eu era forasteiro e vós recebestes-me» (Mt 25, 35). O dever da solidariedade consiste em contrastar a cultura do descartável e em prestar mais atenção aos frágeis, aos pobres e aos vulneráveis. Por isso, «é preciso que todos mudem a atitude em relação aos migrantes e refugiados; é necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização — que, no final, corresponde precisamente à “cultura do descartável” — para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor».(18)

Na conclusão desta reflexão, permiti que chame de novo a atenção para um grupo particularmente vulnerável entre os migrantes, refugiados e pessoas deslocadas, que somos chamados a receber, proteger, promover e integrar. Refiro-me às crianças e aos adolescentes que são forçados a viver longe da própria terra natal e separados dos afetos familiares. Foi a eles que dediquei a mais recente Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, salientando que «é preciso apostar na proteção, na integração e em soluções duradouras».(19)

Estou convicto de que estes dois dias de trabalho darão abundantes frutos de boas obras. Asseguro-vos a minha oração; quanto a vós, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Obrigado.

Radio Vaticano

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Imigrantes que trocaram o Brasil pelos EUA temem deportação

O trabalho nos escritórios dos advogados Moisés Apsan e Vitoria Pinhas, em Nova Jersey e em Nova York, tem sido estafante. Com mais de três décadas de especialização em leis de imigração, Moisés admite ao Correio: “Muitos dos brasileiros que vivem aqui estão nervosos e temem que a imigração vá pegá-los a qualquer minuto, na rua, em casa ou no trabalho”. Por telefone, Vitória afirma que a comunidade de brasileiros está “aterrorizada”. “Nos dias posteriores à assinatura da ordem executiva (banindo a entrada de imigrantes de sete países islâmicos), eu recebi telefonemas de imigrantes legais e ilegais. Quando a Justiça vetou o decreto, os ilegais passaram a me procurar mais”, explica. 

As diretrizes de controle migratório anunciadas na terça-feira pelo Departamento de Segurança Interna — a deportação de ilegais suspeitos ou acusados de delitos e a contratação de 10 mil funcionários da Imigração — elevaram a tensão entre os brasileiros e lançaram a sombra de um pesadelo sobre o “american dream” (“o sonho americano”). Moisés revela que os principais ameaçados de deportação sumária são os brasileiros que migraram há menos de dois anos. “Essas pessoas podem ter problemas. Para quem está com mais tempo, a lei não mudou.”

Wágney Alves Guimarães, 51 anos, deixou Goiânia há dois anos e meio para viver em Atlanta, no estado da Geórgia, com a mulher, Ana Paula, e o filho, Júnior. Com seis meses de permanência nos EUA, ele conseguiu renovar o visto pelo mesmo período. “Depois, não foi possível fazer nada”, conta à reportagem. A única documentação que a família possui é o ITIN number, número que permite a abertura de empresas e a prestação de serviços. “Não temos condição de legalização, a não ser por meio de casamento com uma pessoa que seja cidadã americana. Não nos dispomos a isso”, comentou o goiano, que trabalha na instalação de gabinetes em banheiros e em cozinhas. “A comunidade brasileira está em um grau de ansiedade considerável. Os que são legais temem pelos que não são. Há redes comunitárias grandes aqui, e as pessoas usam a internet para aterrorizar as outras. Há aquelas que buscam alertar onde há blitze, mas nunca sabemos o que é verdade”, relata, ao explicar que infrações no trânsito são “anzóis” usados pela Imigração.

Apesar do medo da deportação, Wágney acredita que o presidente Donald Trump tem razão “em parte” na política migratória. De acordo com ele, assassinos, ladrões e traficantes entram em território norte-americano por meio da fronteira do México. “Eles ameaçam a segurança de todos nós. É extremamente importante que o governo faça a assepsia. Principalmente para aqueles que pagam impostos, como eu. O nosso receio é de que, quando a tarrafa bater, ela leve também os bons peixes. Além de ser muito caro, um processo de deportação é emocionalmente desastroso.” 

Boatos

Fotógrafa em Newark (Nova Jersey), Vera Reis, 60, vive situação parecida. Ela entrou nos EUA em 2001, 15 anos após a última anistia aos ilegais. “Foi  uma decisão drástica e momentânea, por um problema que tive com a família. Precisava de um tempo longe”, explica. “A única forma possível e viável de legalização tem sido o casamento. Como sou casada, não tenho tal opção.” Ela confirma que os brasileiros estão “inquietos e assustados com boatos que ‘pipocam’ o tempo todo’”. “Existem muitas pessoas com cartas de deportação por terem cometido delito ou não terem comparecido à audiência na Corte. Quem está aqui há bastante tempo e tem ficha limpa não tem com o que se preocupar. Em caso de apreensão, tem direito a advogado, e isso pode ser meio para a legalização.”

Para Vera, Trump “não tem todo o poder que pensa”. Ela cita a existência de milhares de organizações a favor dos imigrantes e sublinha que a Justiça invalidou  algumas das ordens executivas promulgadas pela Casa Branca. “Os EUA foram criados por imigrantes. Quase 400 cidades se autoproclamaram ‘santuários’, inviabilizando o poder das autoridades de incomodarem os imigrantes.”

Moradora de Stamford (Connecticut), Arilda Costa McClive escreve para o jornal Brazilian Times, distribuído na comunidade brasileira em nove estados, e administra dois grupos do Facebook — “Brasileiros nos Estados Unidos” e “Brasileiros em Connecticut” — que somam 70 mil internautas. Segundo ela, as pessoas estão “tensas e preocupadas”.  “Procuro tranquilizá-las e informá-las do que ocorre. Trump não decide tudo sozinho. Para quem trabalha e vive honestamente, a chance de ser deportado é muito pequena”, atesta a mineira, que está legal no país há 17 anos. Ela aconselha os compatriotas a evitarem infrações, a andarem na linha e a não criarem inimizades. “As bruxas estão à solta”, lamenta.

O impacto da deportação de imigrantes preocupa Udson Alves Rodrigues, 43 anos, que trocou Rio Verde  (GO) por Novato, na Califórnia, aos 18. “Trabalho na construção civil e tenho funcionários ilegais. Se forem deportados, não vai ser muito bom para mim nem para milhares de negócios”, diz à reportagem. Naturalizada americana, a cearense Roberta Rodrigues, 44, de Waterbury (Connecticut), classifica as diretrizes de “extremas e desnecessárias” e culpa Trump pela onda de preconceito. “As coisas estão explícitas. As pessoas agridem umas às outras. É como se tivesse sido aberto um portão de permissão: ‘Agora vocês podem dizer na cara dessas pessoas que não são daqui que elas não são bem-vindas.”

Correio Brazilense 


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Conselho Nacional de Migração revoga resoluçao sobre concessão de residencia temporaria

No dia 22 de Fevereiro de 2017 foi publicada no Diário Oficial da União  a concessão de residência temporária  a nacional de pais fronteiriço.assinado pelo então Presidente do Conselho Nacional de Migração Paulo Sergio de Almeida .

Agora o novo Presidente do Conselho Nacional de Migração Hugo Medeiro Gallo  revoga a resolução normativa , 
Entidades que atuam na defesa de migrantes solicitam esclarecimento sobre a revogação   

Resolução  aprovada

Nova Resolução do CNIg publicada hoje, 22/02/2017, no Diário Oficial da União (residência temporária para nacional de país fronteiriço):

CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO RESOLUÇÃO NORMATIVA No - 125, 14 DE FEVEREIRO DE 2017

Dispõe sobre a concessão de residência temporária a nacional de país fronteiriço.
O CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO, instituído pela Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, e organizado pela Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 840, de 22 de junho de 1993, Tendo em vista o disposto na Resolução Normativa nº 27, de 25 de novembro de 1998, combinada com a Resolução Recomendada nº 8, de 19 de dezembro de 2006,

Resoluçao Revogada

CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO DESPACHO DO PRESIDENTE
 Em 22 de fevereiro de 2017 O novo  Presidente do Conselho Nacional de Imigração, Hugo Medeiro Gallo no uso de suas atribuições, resolve: Tornar sem efeito a Resolução Normativa nº 125, de 14 de fevereiro de 2017, publicada no DOU nº 38 de 22/02/2017, seção 1, pág. 81.


Miguel Ahumada

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Entender la migración como un drama

Como lo pueden atestiguar miles de guatemaltecos que tienen ancestros extranjeros y cuyas familias son producto de la migración, quienes abandonaron su país para buscar otros horizontes generalmente lo hicieron desesperados por la falta de oportunidades y la pobreza que sufrían en su lugar de origen. Salvo unos pocos, auténticos aventureros que izaron velas para ver qué pasaba y poquísimos que vinieron como inversionistas, la inmensa mayoría de los migrantes salieron con una mano atrás y otra adelante, exactamente igual a como se van nuestro compatriotas, y pasaron muchas penas para superarse.
El guatemalteco que va a Estados Unidos no lo hace por vacilar ni para ir a gozar de una vida placentera. Son personas que se matan trabajando con enorme responsabilidad y soportando una serie de sacrificios con la intención de enviar dinero a sus familias y, hasta ahora, con el sueño también de poderse llevar poco a poco a su entorno familiar. Siempre han sentido el peso de miradas recelosas, pero más luego que Trump los identificara a todos como criminales y violadores en una generalización absolutamente torpe y racista. A diferencia del entorno que acogió a muchos de los migrantes, especialmente de origen europeo, cuando vinieron a Guatemala, donde encontraron un ambiente muy receptivo que les abrió las puertas para colocarse casi en la cúspide de la pirámide social, el chapín que llega a Estados Unidos se topa con una adversidad producto de un racismo subyacente que, sin embargo, ahora está aflorando con mayor facilidad.
La diferencia más grande está en que los países europeos, como España, que generaron importantes olas migratorias en el pasado, han alcanzado niveles de desarrollo que los convierten en receptores de migrantes. En cambio en Guatemala nuestros sucesivos gobiernos se han dedicado única y exclusivamente a robar, en complicidad con muchos vivos empresarios, sin intentar siquiera un esbozo de políticas de desarrollo que lleven oportunidades a nuestra gente en sus lugares de origen. El guatemalteco que hoy nace pobre está virtualmente condenado a morir pobre y, salvo los siempre notables casos de excepción, sus hijos también sufren la misma condena.
Nadie piensa en el sufrimiento del padre de familia, que emigró para enviar dinero a su mujer y sus hijos, en esas noches solitarias en un oscuro cuarto que comparten con otras personas que están también en situación irregular en Estados Unidos. Ellos, como nosotros, desean compartir el tiempo con sus familias y las extrañan terriblemente. Lloran por la impotencia para reunirse como sería su deseo, pero saben que nuestra sociedad ha determinado que su único destino, si quieren dar mejor sustento a los suyos, es irse al norte en busca de una oportunidad.
Su estadía nunca ha sido fácil, pero ahora será mucho más difícil, y no sólo por las disposiciones migratorias de Trump, sino especialmente porque se siente y palpita en ese país promotor de los derechos civiles, el resurgimiento de un trato de desprecio a las minorías y de manera muy especial hacia el inmigrante hispano pobre, ese que asocian con en el estereotipo que pintó el candidato republicano durante su campaña. Y hoy vino el general Kelly para traernos la nueva de que muchos de ellos serán deportados en los próximos meses.
La Hora
Oscar Clemente Marroquín
ocmarroq@lahora.com.gt
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Crise alimentar atinge 2 milhões de refugiados em 10 países da África, alerta ONU

De acordo com duas agências da ONU – o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Agência para Refugiados (ACNUR) –, suplementos alimentares foram consideravelmente reduzidos – em alguns casos em até 50% – em grandes operações de assistência nos Camarões, Chade, Quênia, Mauritânia, Sudão do Sul e Uganda. Já em Burkina Faso, Djibuti, Burundi e Etiópia, houve cortes em refeições fortificadas com micronutrientes.
Jovem com seu recipiente para coletar água em um campo de proteção de civis em Bentiu, no Sudão do Sul. Foto: UNICEF / Holt
Jovem com seu recipiente para coletar água em um campo de proteção de civis em Bentiu, no Sudão do Sul. Foto: UNICEF / Holt
A ONU alertou nessa segunda-feira (20) que cerca de 2 milhões de refugiados enfrentam escassez crítica de alimentos em dez países africanos.
De acordo com um comunicado conjunto emitido pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), suplementos alimentares foram consideravelmente reduzidos – em alguns casos em até 50% – em grandes operações de assistência em Camarões, Chade, Quênia, Mauritânia, Sudão do Sul e Uganda.
Já em Burkina Faso, Djibuti, Burundi e Etiópia, houve cortes em refeições fortificadas com micronutrientes.
“Milhões de refugiados dependem do alimento fornecido pelo PMA e do nosso trabalho para tratar e prevenir a desnutrição e se manterem vivos. Na África, no entanto, eles correm o risco de serem ofuscados por grandes crises humanitárias”, alertou a diretora-executiva do PMA, Ertharin Cousin.
“Não podemos imaginar como a vida é difícil para milhares de refugiados sem comida e que muitas vezes não conseguem arranjar trabalho”, acrescentou o alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi.
Segundo Grandi, os refugiados são extremamente resistentes, mas os cortes de alimentos estão tendo um impacto devastador na saúde e nutrição de milhares de famílias.
O número de refugiados na África quase dobrou de 2,6 milhões em 2011 para cerca 5 milhões em 2016, de acordo com dados do ACNUR.
A agência da ONU observou que, embora o financiamento para a assistência aos refugiados tenha aumentado durante o período, as doações não acompanharam o ritmo das necessidades crescentes, deixando a resposta humanitária significativamente subfinanciada
Onu
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Conselho Nacional de Migração : Residencia temporária para nacional de pais fronteiriço

Nova Resolução do CNIg publicada hoje, 22/02/2017, no Diário Oficial da União (residência temporária para nacional de país fronteiriço):
CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO RESOLUÇÃO NORMATIVA No - 125, 14 DE FEVEREIRO DE 2017
Dispõe sobre a concessão de residência temporária a nacional de país fronteiriço.
O CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO, instituído pela Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, e organizado pela Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 840, de 22 de junho de 1993, Tendo em vista o disposto na Resolução Normativa nº 27, de 25 de novembro de 1998, combinada com a Resolução Recomendada nº 8, de 19 de dezembro de 2006,
Considerando os objetivos que inspiraram o Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do MERCOSUL e
Países Associados, no sentido de aprofundar o processo de integração, visando implementar política de livre circulação, com vistas a promover a regularização migratória dos nacionais da região,
Considerando os compromissos assumidos pelo Brasil no
âmbito internacional, no sentido de estabelecer políticas migratórias que garantam o respeito integral aos direitos humanos dos migrantes e seu pleno acesso à justiça, à educação e à saúde,
Considerando o fluxo migratório a unidades da Federação,
sobretudo na região Norte, de estrangeiros nacionais de países fronteiriços que ainda não são parte do referido Acordo de Residência, que se encontram em situação migratória irregular no Brasil e aos quais não se aplica o instituto do refúgio para permanecer no país, resolve:
Art. 1º. Poderá ser concedida residência temporária, pelo
prazo de até 2 anos, ao estrangeiro que tenha ingressado no território brasileiro por via terrestre e seja nacional de país fronteiriço, para o qual ainda não esteja em vigor o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Partes do MERCOSUL e países associados.
Parágrafo único. A solicitação de residência temporária deverá
ser feita junto às unidades da Polícia Federal, para registro,
mediante a apresentação da seguinte documentação:

I - requerimento preenchido;
II - duas fotos 3x4;
III- cédula de identidade ou passaporte válido;
IV - certidão de nascimento ou casamento ou certidão consular;
V - certidão negativa de antecedentes criminais emitida no
Brasil;
V - declaração de que não foi processado criminalmente no
país de origem; e
VI - comprovante de pagamento de taxas.
Art. 2º. O estrangeiro que pretenda se beneficiar da presente
Resolução Normativa e tenha solicitado refúgio no Brasil deverá
apresentar às unidades da Polícia Federal declaração de preferência de regularização de estada, indicando como fundamento de seu pedido esta Resolução Normativa.
Parágrafo único. A declaração de preferência será encaminhada 
ao Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) para as providências administrativas a seu encargo.
Art. 3º. Esta Resolução Normativa vigorará pelo prazo de um ano, podendo ser prorrogada.
Art. 4º. Esta Resolução Normativa entra em vigor na data de sua  publicação 
.
PAULO SÉRGIO DE ALMEIDA
Presidente do Conselho
Fonte: Diário Oficial da União, Seção 1, p. 81, n. 38, 22/02/2017.


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Ministério do Trabalho apresenta experiência com migrantes em reuniões preparatórias do G20 na Alemanha

A integração dos migrantes na sociedade pelo mercado de trabalho deve ser uma das proposições do Brasil na Conferência de Ministros do Trabalho do G20, que este ano ocorre na Alemanha. A pauta está entre as prioridades da presidência alemã, que está propondo também debates sobre a participação feminina, o emprego juvenil, as cadeias globais de valor, e o futuro do trabalho. As dificuldades atuais, as soluções que estão sendo encontradas e os desafios a serem enfrentados para cada um desses temas já começaram a ser discutidos em dois encontros preparatórios – o primeiro em dezembro de 2016, em Berlim, e o segundo, na semana passada, em Hamburgo.
Willis Taranger, chefe de gabinete do ministro, participou do evento, juntamente com o chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Trabalho, Ney Canani. Canani, que participou dos dois encontros, relata que as intervenções brasileiras têm sido bem recebidas pelos demais países, e que a experiência com a integração dos migrantes pode ser uma importante contribuição para o G20. “Há países que vem a integração como pré-requisito pra integração no mercado de trabalho. A visão do Brasil é um pouco diferente. Nós entendemos que a participação do migrante no mercado de trabalho facilita a integração dele na sociedade como um todo. E o Brasil está levando essa experiência como contribuição para o G20”, conta.
Em relação ao emprego feminino, Canani explica que os países estão buscando uma nova maneira de analisar os progressos no avanço da equidade no trabalho. Ele conta que a ideia é avançar nas avaliações, que hoje são feitas com base em números, para outros critérios que levem em conta também a qualidade dos postos ocupados pelas mulheres. “Se não, a gente fica com uma visão distorcida da participação da mulher no mercado”, explica.
Para o emprego juvenil, o desafio é outro: a inclusão dos jovens no mercado por meio da aprendizagem. Canani diz que os exemplos mais citados foram os modelos de aprendizagem dual da Alemanha e da Suíça, considerados referência no mundo. Esses países têm tido grande êxito na inserção dos jovens no mercado do trabalho, além de prepararem bem a juventude para o futuro do trabalho, um dos temas mais desafiadores da atualidade, diante das mudanças na economia mundial.
“Empregos que existem hoje, dentro de algumas décadas, seguramente, não vão existir mais. De forma que as pessoas que hoje desempenham essas funções terão de ser capazes de se adaptar. É um tema que tem a ver com aprendizagem também, porque para se adaptar melhor é preciso estar em permanente processo de qualificação. Uma recomendação que deve sair da reunião do G 20, é que os estados encontrem soluções para manter a mão de obra dos seus trabalhadores em permanente qualificação para que eles consigam enfrentar as mudanças que já começam a ocorrer no mundo do trabalho”, explica. 
Leis trabalhistas
A modernização das leis trabalhistas, que está em debate no Brasil atualmente, também preocupa outros países. O chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Trabalho, Ney Canani, conta que esse é um tema sobre o qual vêm se debruçando dirigentes de diversas nações e CEOs de grandes empresas europeias.
Uma das razões para o debate são as novas relações de trabalho, que exigem flexibilização de jornada e também um olhar atento sobre a proteção social. É o caso, por exemplo, de pessoas que trabalham pela internet, prática cada vez mais comum. “Como flexibilizar essa jornada e ao mesmo tempo garantir a proteção social desses trabalhadores?“.
No caso das cadeias globais de produção, o desafio é ainda maior. São muitos os casos de empresas que têm sua linha de produção distribuída em diferentes países e não têm controle sobre as relações de trabalho ao longo de sua produção. “Vou dar um exemplo: a produção de um telefone da Apple envolve pelo menos 600 empresas de diferentes países. Como garantir que as relações de trabalho sejam decentes em toda a cadeia de produção? Como melhorar o controle em toda a cadeia? Esse é um desafio que os países estão discutindo”, diz. 
Estão previstos mais dois encontros do Grupo de Trabalho sobre Trabalho e Emprego do G 20 até a Conferência de Ministros do Trabalho. O evento ocorrerá em maio, na cidade alemã de Bad Neunahr, e deverá contar com a presença do Ministro Ronaldo Nogueira.
Ouça aqui o áudio.

Ministério do Trabalho
Assessoria de Imprensa
Graziela Andreatta

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Decisão premiada garantiu direitos trabalhistas de imigrante irregular

A eliminação de qualquer discriminação entre brasileiros e estrangeiros residentes, prevista na Constituição Federal e na Declaração de Princípios da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esse princípio baseou decisão da juíza Angélica Candido Nogara Slomp, da 2ª Vara do Trabalho de Francisco Beltrão/PR, pela liberação dos valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a um trabalhador imigrante de Bangladesh que estava no Brasil irregularmente. A sentença da magistrada foi premiada no I Concurso Nacional de Decisões Judiciais e Acórdãos em Direitos Humanos, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceira com Secretaria de Direitos Humanos (SDH).

A juíza venceu na categoria Direito dos Imigrantes e Refugiados. “Mais do que a decisão em si, a importância é a temática desse concurso, pois, somente com a efetivação dos direitos humanos nós podemos fazer justiça”, disse Angélica Candido Nogara Slomp. A decisão ganha ainda mais relevância diante da estimativa de que pelo menos 150 mil pessoas vivem ilegalmente no país, conforme a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Na sentença, fundamentada na Opinião Consultiva n. 18/2003 da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), a magistrada destacou que “independentemente de seu status, sejam eles documentados ou não, os trabalhadores migrantes devem ter o gozo pleno e efetivo dos mesmos direitos laborais conferidos aos cidadãos do país em que se encontram”.
Além desse instrumento, Angélica lembrou que a Declaração Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, estabelece a igualdade perante a lei (art. 24), o que afasta qualquer possibilidade de tratamento discriminatório aos trabalhadores estrangeiros que se encontrem no país em situação de irregularidade migratória.
Para trabalhar no Brasil, o estrangeiro precisa de uma autorização junto à Coordenadoria-Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Previdência Social e visto, temporário ou permanente, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). Estudantes, artistas, esportistas e jornalistas (correspondentes) podem solicitar visto temporário. Para trabalhadores de regiões de fronteira, a atividade remunerada é permitida e dispensa a exigência de visto para naturais de países vizinhos ao Brasil que residam em cidades fronteiriças.
A juíza espera que o reconhecimento da decisão possa dar mais visibilidade ao tema. “No nosso cotidiano jurídico brasileiro, a utilização de normas de direito internacional não é invocada como regra. Elas, no entanto, devem ser usadas para a concretização de direitos humanos fundamentais”, observa a juíza paranaense.
A premiação – O concurso destaca o papel de juízes na defesa dos direitos humanos. Qualquer cidadão, inclusive o responsável, pode indicar a decisão e inscrevê-la em até duas categorias  apenas um caso foi premiado em cada uma. Foram consideradas decisões em processos de primeiro e segundo grau, dadas por um juiz ou por colegiados, entre 25 de outubro de 2011 a 25 de outubro de 2016. A análise coube a uma comissão julgadora de cinco membros, indicados pelo CNJ e pela SDH.
A premiação avaliou decisões em 14 temas: garantia dos direitos da criança e do adolescente, da pessoa idosa e das mulheres; da população negra; dos povos e comunidades tradicionais; dos imigrantes e refugiados; da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais; da população em privação de liberdade e em situação de rua; da pessoa com deficiência e da pessoa com transtornos e altas habilidades/superdotadas; promoção e respeito à diversidade religiosa; prevenção e combate à tortura; combate e erradicação ao trabalho escravo e tráfico de pessoas.
Agência CNJ de Notícias
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VI Fórum Internacional sobre Migrações e Paz: Combater as desigualdades que obrigam a emigrar

 Desenvolvimento e integração: este é o binômio proposto pelo Papa Francisco para enfrentar hoje o desafio das migrações. O Pontífice falou sobre este tema ao receber na manhã de terça-feira, no Vaticano, os participantes do VI Fórum Internacional sobre Migrações e Paz, promovido pela Santa Sé nos dias 21 e 22 de fevereiro.


Em seu discurso, Francisco parte da constatação de que os movimentos migratórios sempre caracterizaram a história humana. Na sua essência, migrar é expressão intrínseca do anseio à felicidade própria de cada ser humano. Todavia, o Papa manifestou preocupação pela natureza forçada da maioria dos fluxos contemporâneos: transferências causadas por conflitos, desastres naturais, perseguições, mudanças climáticas, violências, pobreza extrema e condições de vida indignas.
Francisco propõe como resposta a este desafio a conjugação de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.
Acolher: o Papa pede uma mudança de atitude para superar a indiferença e a índole da rejeição, sentimentos muitas vezes amplificados por demagogias populistas. Para quem foge de guerras, afirma, é preciso abrir canais humanitários acessíveis e seguros. E o acolhimento deve ser feito de maneira responsável e digna, em espaço adequados e decorosos.
Proteger: Para Francisco, conjugar este verbo significa defender os migrantes da exploração, do abuso e da violência. Trata-se de um imperativo moral a ser traduzido adotando instrumentos jurídicos, realizando políticas justas, aplicando programas contra os “traficantes de carne humana”.
Contudo, proteger não basta: é preciso promover o desenvolvimento humano integral dos migrantes. Esta promoção, defende o Papa, deve começar a partir das comunidades de origem, ou seja: com o direito de poder emigrar, deve ser garantido o direito a não ter que emigrar. Isto é, o direito de encontrar na própria pátria condições que permitam uma digna realização da existência.
Uma vez emigrado, deve-se proceder a integrar os indivíduos. Um processo bidirecional que se fundamenta no reconhecimento mútuo da riqueza cultural do outro, só assim se podem evitar os novos “guetos”. Para isso, são necessários programas específicos que favoreçam o encontro significativo com o outro e o migrante não pode se fechar à nova cultura que o hospeda, respeitando leis e tradições.
“Creio que conjugar esses quatro verbos, na primeira pessoa do singular e na primeira pessoa do plural, represente hoje um dever – um dever para com os irmãos e irmãs que, por várias razões, são forçados a deixar o próprio local de origem”, disse Francisco. Este dever, acrescentou ele, é tríplice: dever de justiça, dever de civilidade e dever de solidariedade.
As desigualdades econômicas não são mais concebíveis, frisou o Papa. “Um pequeno grupo de indivíduos não pode mais controlar os recursos de quase todo o mundo. Pessoas e povos inteiros não podem viver somente de migalhas”, disse Francisco, afirmando que ninguém pode se sentir dispensado dos imperativos morais que derivam da corresponsabilidade na gestão do planeta.
“Fazer justiça significa também reconciliar a história com o presente globalizado, sem perpetuar lógicas de exploração de pessoas e territórios”, afirmou o Papa, citando o processo de descolonização e novas formas de colonialismo que ainda devem ser reparados.
O dever de civilidade inclui a fraternidade como o modo mais civil de se relacionar com o outro, já o dever de solidariedade é a capacidade de compreender as necessidades do irmão e da irmã que migram e, assim, combater a cultura do descarte.
Todos esses elementos, indicou por fim o Pontífice, requerem uma mudança de atitude da parte de todos; deixar a defesa, medo, o desinteresse e a marginalização de lado e se abrir para a cultura do encontro, “a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor”.
Francisco concluiu seu articulado discurso com um pensamento especial ao grupo mais vulnerável dos migrantes:
“Refiro-me às crianças e adolescentes que são forçados a viver longe de suas terras de origem e separados dos afetos familiares.” 
Radio Vaticano
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Vaticano promove Fórum sobre migrações e paz


A Câmara dos Deputados com sede em Roma acolhe nos dias 21 e 22 de fevereiro a VI edição do Fórum Internacional sobre Migrações e Paz, sobre o tema “Integração e desenvolvimento: da reação à ação”.
O evento é organizado pelo Pontifício Conselho do Desenvolvimento Humano Integral, pela Rede Internacional Scalabriniana de Migração e pela Fundação Konrad Adenauer.
Na terça pela manhã, os participantes do Fórum virão ao Vaticano para uma audiência com o Papa Francisco.
A finalidade deste evento é favorecer uma parceria inovadora entre agências governamentais, organismos internacionais e organizações da sociedade civil na definição de políticas e programas sobre duas dimensões principais das migrações: a integração dos migrantes e dos refugiados nos países de acolhimento e a promoção de programas de desenvolvimento nos países de origem dos fluxos migratórios.
Participam deste evento inúmeros brasileiros. Entre eles, o Cardeal Cláudio Hummese, a Diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, Ir. Rosita Milesi, e a Superiora das Scalabrinianas, Ir. Neusa de Fátima Mariano
Um dos conferencistas será o Diretor do Conselho Nacional de Imigração do Brasil, Paulo Sergio de Almeida.
Radio Vaticano
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"O Brasil não tem mais jeito"


Fabio Varanda e família: embarque para a Suíça acontece até junho. 
Fabio Varanda e família: embarque para a Suíça acontece até junho. 
(Divulgação )
"Estou tentando dar um futuro digno aos meus filhos. O Brasil não tem mais jeito, eu perdi a esperança". Com essa frase, o advogado Fabio Varanda resume o motivo pelo qual vai deixar Campinas e emigrar para a Suíça em breve. Com passaporte suíço, ele quer dar segurança, estabilidade e boa educação às crianças, o que não é mais possível como advogado em sua cidade.
Há dois anos que só faz perder clientes e vê o padrão de vida cair. Tinha escritório montado em uma casa, com secretária. Teve que se mudar para um espaço de 22 metros quadrados e dividir com o pai, colega de profissão. Tirou os filhos da escola particular e o medo de que não haja dinheiro suficiente para o plano de saúde ronda a família todo fim de mês. "O pânico de não ter como pagar as minhas contas se reinicia a cada 30 dias. Os clientes estão indo embora", diz Fabio, que já morou antes na Suíça e voltou ao Brasil em 2010.
O advogado é um sobrevivente da chamada "síndrome do retorno", que leva o imigrante a não conseguir se readaptar ao país de origem. Ele diz que sofreu muito como estrangeiro na Suíça e, apesar de ter passaporte suíço, desistiu de viver no país depois de quatro anos. Durante sua estada, trabalhou em faxina, na construção civil e até em câmara fria, a temperaturas abaixo de três graus negativos.
Mas mesmo com todas as dificuldades, disse que se arrependeu em três meses de ter retornado a Campinas. De acordo com Fabio, ele não quer condenar o futuro dos filhos, um menino de nove e uma menina de sete anos. "Se é para ter pouco dinheiro, vamos para o primeiro mundo, onde temos escola de qualidade e segurança", explica. Fábio venderá o carro da família para comprar as passagens e pretende embarcar com a esposa e os dois filhos até junho.
Assim como acontece com Fabio Varanda, as crises econômica e política no Brasil têm levado muitos outros brasileiros ao exterior. Segundo dados da Receita Federal, entre 2011 e 2015 houve um aumento de 67% no total de Declarações de Saída Definitiva do País, o documento apresentado ao Fisco por quem emigra. Outros milhares de brasileiros estão seguindo o mesmo caminho. O número de declarações atingiu a marca de 13.288 no ano retrasado, contra em 7.956, em 2011.
É difícil, no entanto, estimar com certeza o número de brasileiros fora do país. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo 2010, estimou que residiam 491.243 brasileiros no exterior. O número difere do estimado pelo Ministério das Relações Exteriores, que trabalha com a cifra de 2,5 milhões de brasileiros. O IBGE reconhece o desafio de estimar o número de emigrantes internacionais e acredita que seja aquém da realidade. Na Suíça, a situação é a mesma. A Divisão Federal de Estatística informa que 19.581 brasileiros habitam no país (dados de 2015). O Consulado Brasileiro, no entanto, estima o dobro, incluindo os residentes sem autorização, os chamados ilegais.  

Suíça controla entrada de estrangeiros

O número de entrada de brasileiros, de acordo do Departamento de Estatística da Suíça, não corresponde ao êxodo reportado pela Receita Federal. A quantidade de imigrantes conterrâneos até decresceu em 2015, em comparação com 2014. Se em 2015 chegaram 1740 imigrantes dessa nacionalidade, em 2014 foram 1790. Na realidade, os números são sempre muito parecidos todos os anos. Se a análise se limitar aos períodos de 2011 a 2015, é possível perceber que a variação vai de 1740 residentes, o mínimo; ao máximo de 2040 pessoas.  De acordo com o Departamento, não importa a crise financeira que o Brasil esteja vivendo, a quantidade de estrangeiros será sempre controlada. Isso significa que eles não estão vindo exatamente para esse país.
De acordo com Fernanda Pontes Clavadetscher, advogada e consultora jurídica, para que um brasileiro que não tenha cidadania europeia consiga a permissão para morar na Suíça, é necessário que ele primeiramente dê entrada no pedido de visto junto ao Consulado Suíço no Brasil e junte uma vasta documentação. Os vistos mais procurados, nesse caso, são para a preparação de casamento, estudo e trabalho no país. Mas o processo é muito criterioso e o pedido nem sempre é deferido. Para visto de trabalho, por exemplo, a empresa contratante precisa comprovar que não encontrou um profissional na Suíça para a mesma função.

Significado da desilusão com o país

O índice reflete, além de uma desilusão com o país, a saída de uma elite financeira e cultural, pessoas com bom nível econômico e educacional. A falta de perspectivas é o grande motivador desses novos emigrantes. De acordo com especialistas, as pessoas têm a sensação de que o Brasil não tem jeito e de que as coisas não se ajustarão; o cenário de desemprego crescente, os escândalos de corrupção, o mau desempenho econômico, a inflação ascendente e as altas de impostos e no preço de serviços básicos estão sufocando os brasileiros. Frente a isso, empresários e profissionais estabelecidos procuram alternativas melhores no exterior.
O professor Ilton Teitelbaum, da PUC Rio Grande do Sul, entrevistou 1.700 jovens de 18 a 34 anos das classes B e C para uma pesquisa sobre o jovem brasileiro e o futuro do país. A conclusão endossa os números da Receita Federal: há pouco orgulho de ser brasileiro, muito em função das questões políticas e econômicas. Um dos dados que tem chamado a atenção na pesquisa é que 36% dos entrevistados gostariam de mudar para o exterior.
Segundo Teitelbaum, que coordenou o estudo, as respostas dos jovens à pesquisa refletem a desilusão e o desencanto que eles sentem em relação ao futuro do país, e as crises política e econômica são "o fator gerador" desse sentimento. Esse sentimento não é apenas geracional, mas diz respeito ao modo como várias gerações têm se sentido em relação à falta de perspectivas no Brasil. De acordo com o professor, o fato é que há pouco orgulho em ser brasileiro, muito em função dessa instabilidade que sempre nos persegue.

A cultura diferente pode ser empecilho

Além da dificuldade financeira e falta de segurança no Brasil, o emigrante terá que lidar com a adaptação à cultura diferente: Suíça e Brasil são países muito distintos. Treinamento intercultural, no entanto, deveria fazer parte do planejamento para a viagem. Aprender o idioma e pesquisar sobre o país são atitudes muito importantes, mas melhorar a sensibilidade intercultural abre a mente e expande a imagem de mundo, que é muito mais que a sua cidade, seu bairro ou casa. De acordo com a psicóloga intercultural Gabriela Ribeiro Broll, investimento em treinamento intercultural pode reduzir muito a probabilidade de arrependimentos e melhorar a integração;nesse caso não só dos adultos, mas também das crianças. "Isso vai ajudar na escola, no aprendizado e irá melhorar a qualidade de vida da família como um todo", explica.

Quando o caminho da dignidade é o aeroporto internacional

O advogado carioca Pablo Figueiredo de Almeida também está contando os dias para a partida. Já deu entrada no Procedimento de Agrupamento Familiar no Consulado da Suíça. Pretende embarcar em maio com a mulher, que tem cidadania suíça, e com o filho rumo a Genebra. Pablo, que tem cidadania portuguesa, está se planejando o êxodo desde 2015, quando perdeu de vez a esperança com o Brasil. A crise reduziu consideravelmente o faturamento do escritório, muitos clientes não têm mais dinheiro. Aliado aos problemas financeiros, ele se diz cansado de sentir medo no bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro, e de não poder ir à praia por receio de assaltos, por exemplo.
Organizado, Pablo desenvolveu uma planilha com metas para a tão esperada empreitada. Entre os objetivos, faz aulas de francês com a esposa e aproveitou as férias de verão para se inscrever em curso intensivo. "É o país que está expulsando a gente. Violência, pobreza e corrupção ao extremo, não dá mais. O Brasil não tem mais jeito, é necessário desligar e ligar de novo, colocar gente nova", explica o advogado, que tem um filho de três anos.
Ele visitou a Suíça em novembro para sondar oportunidades e ver se gostava. Se encantou, principalmente ao ver as crianças pequenas indo à escola sozinhas. Decidiu que a parte francesa seria um bom lugar para plantar seu sonho. A língua alemã pareceu muito difícil. A preocupação com a família e a velhice são motivos mencionados por ele e a esposa para abandonarem tudo e recomeçar uma vida nova. De acordo com Pablo, a oportunidade de ter um passaporte europeu precisa ser usada. "É minha obrigação oferecer ao meu filho uma escola excelente. E melhor, gratuita. Como advogado, eu vejo a velhice de outras pessoas aqui no Brasil, onde para se usar o plano de saúde tem que entrar com uma ação contra as empresas de seguro. Eu não quero isso para mim e para minha família", desabafa. Infelizmente, Pablo e Fabio são dois personagens brasileiros que ilustram o desejo de muitos outros. Pelo menos nesse caso, o desalento vai dar lugar, em breve, à esperança. Tomara que com final muito feliz. 
Quantidade de declarações (Fonte Receita Federal Brasileira):
2011: 7.956
2012: 8.510
2013: 11.584
2014: 11.584
2015: 13.288
Residentes brasileiros na Suíça (Fonte: Divisão Federal de Estatística)
2011: 2040 residentes
2012: 1934 residentes
2013: 1867 residentes
2014: 1790 residentes
2015: 1740 residentes
Brasileiros no mundo (fonte: Receita Federal e Ministério das Relações Exteriores)
1,2 milhão:  América do Norte
865 mil: Europa
200 mil
200.000: Ásia
Por Liliana Tinoco-Baeckert

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